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Responsabilidade Social
(Artigo publicado no Expresso)
 
 
Sendo a Nortravel uma empresa preocupada com o seu contributo para a sociedade, chegou o momento de avançar para um projecto válido e conduzido por entidade idónea. Dada a importância que a Nortravel atribui ao assunto, decidi, como responsável da empresa, dedicar-me eu próprio a essa tarefa. Depois de avaliar várias possibilidades que nos pareceram igualmente válidas, partimos para a fase de marcar reuniões com cada uma, antes de decidir qual apoiar efectivamente. Quis o acaso que a primeira das reuniões tivesse lugar com a Fundação do Gil, na pessoa da Margarida Pinto Correia. 
 
Informada a Margarida Pinto Correia da razão da minha visita, assumiu ela as despesas da conversa onde me foi informando, para surpresa minha, da dimensão da obra da Fundação. Fiquei a saber que a Casa do Gil, longe de se destinar a apoiar casos mais ou menos elitistas, apoia, isso sim, crianças e famílias das mais carenciadas em Portugal e nos PALOP. Fiquei a saber que, muitas vezes, o maior drama e as maiores dificuldades não são o apoio directo às crianças que tenham que receber cuidados de acolhimento e/ou de internamento hospitalar. Mas sim o suporte e acolhimento da estrutura familiar, quando esta é oriunda de regiões afastadas do local de internamento, com a deslocação desde a origem (maioritariamente das ex-colónias), alojamento, sobrevivência quotidiana e, quantas vezes, problemas de comunicação. Enfim, um sem número de dificuldades que nem sempre termina com a recuperação da saúde da criança, pois a devolução da mesma ao seu meio é por vezes tão doloroso como o percurso do tratamento até à cura. Mais que ficar a saber, senti que estava perante um projecto válido, indispensável, urgente. Um projecto alavancado por uma equipa motivada e cuja motivação maior é a satisfação de saber-se útil.
 
A Margarida informou-me de um novo projecto da Fundação que carecia de apoio, o projecto UMAD (Unidades Móveis de Apoio ao Domicilio), que tem como principal função devolver às famílias crianças com doenças crónicas que de outro modo ficariam internadas nas unidades hospitalares, muitas para toda a vida. O projecto já está implementado em parte do país e carecia de apoio para arrancar em Coimbra, antes de avançar para o Porto. Quando a Margarida me informou que o apoio da Nortravel permitiria, definitivamente, o arranque da Unidade de Coimbra já em Abril, ficou, desde logo e ali, decidido o nosso apoio ao projecto UMAD. Assumimos com a Fundação do Gil uma importância mínima anual suficiente para o arranque em Coimbra que será ampliada se a facturação da Nortravel mantiver uma boa performance. Por isso o convidamos, a si, a que faça parte desta onda de solidariedade, ajudando-nos a ajudar a Fundação do Gil, viajando com a Nortravel. 
 
É imperioso fomentar um ambiente solidário. É o que tentamos fazer com a sua ajuda.
O materialismo em que vivemos nas sociedades ditas desenvolvidas, tem empurrado grande parte das empresas e das pessoas para comportamentos onde impera o individualismo como base da doutrina da modernidade. Este comportamento é extremamente perigoso e inaceitável.
 
É sempre bom ter presente que a qualquer privilégio corresponde uma obrigação.
Todos estamos de acordo que o esforço e o mérito devem ser premiados. Que não há sociedade mais injusta que aquela que aplique uma "justiça" cega, distribuindo os recursos totais pela totalidade da população de forma indiferenciada, independentemente do mérito e do esforço de cada um no contributo para a criação de riqueza e bem-estar. Esta formula que alguns, de forma errada, aceitam por idealismo bacoco, encerra o maior dos perigos com que a sociedade se confronta. Fazer de conta que todas as pessoas são iguais é um erro crasso que se paga, sempre, muito caro. É na diversidade que existe a maior riqueza da natureza humana e da sociedade. Retirar o espaço à criatividade, à ambição e à capacidade de realização do ser humano, sonegando-lhe o prémio compensatório, seria condenar a sociedade ao esforço mínimo. Seria criar uma sociedade acéfala, acrítica, redutora.
 
Tão grave como fazer de conta que todas as pessoas são iguais é aceitar que todas têm iguais responsabilidades. Cada um tem que assumir as suas responsabilidades e elas são proporcionais à inteligência, ao discernimento, à capacidade e poder de influenciar a sociedade de cada um dentro do grupo em que se insere. 
 
No limite poderíamos afirmar que todos somos responsáveis pelos males que afectam a sociedade, a menos que, praticando no âmbito das capacidades e responsabilidades de cada um, provemos o contrário.
 
 
No sentido de restituir às pessoas, e às empresas, uma maior consciência social, é urgente criar um movimento dinâmico que inclua a escola (do infantil à universidade), a família, os jornais, a rádio e televisão e todas as associações de carácter social, desportivo ou cultural, no sentido de valorizar a solidariedade. Valorizar a solidariedade é também ensinar que quem dá, quando dá, recebe normalmente mais que o equivalente à dádiva; quem dá alivia a dor de alguém mas o prazer de dar é muitas vezes maior que o equivalente alívio de quem recebe: independentemente de conotações religiosas: dar é receber. 
Contamos consigo. Seja solidário!
 
 
António Gama
NORTRAVEL
Presidente do C.A